Por Jerônimo Boaventura.
Ó ledores destes Cadernos, tenho que vos é devida uma explicação, pois a árvore que tanto vos sombreava com a sua copa e tão bem vos alimentava com os seus frutos vos tem negado nos dias passados os mesmos frutos assim como a mesma sombra. Razão vos cabe em reclamar o emolumento da vossa leitura, ó amigos, pois se por um lado vos entregávamos o produto da nossa arte e da nossa reflexão, por outro lado nos concedíeis a atenção de vossos olhos e do vosso espírito.
Não é de admirar que doravante deixeis este Jatobá, cuja sombra escassa e frutos pouco saborosos vos eram oferecidos parcamente, mas em razão bastante para vos refrescar o calor da displicência e saciar a fome de conhecimento. Já porém a árvore nada vos oferece, como má pagadora de vossa companhia.
A verdade é que os sócios deste Clube descobrimos onde reside a vitória e, para miséria e desespero do leitor inteligente, não é no pardieiro das letras, mas na mansão dos desportos. Sei que me lês com os olhos agudos da suspeita, pudica leitora, mas estás a retribuir mal a verdade que ora te revelo. Ignoro o que dizer mais. Domina-me igual escrúpulo ao do mestre Vieira, e “ocorre aqui ao pensamento o que não é lícito sair à língua”.
Porventura confesso para a minha tranqüilidade: sou um vencido.
Valete!


8 Comments:
àqueles que não se interessam pelas palavras ditas nesses cadernos (pouco) artificiais, poupem-nos da insolência incoerente, poupem, principalmente, a si mesmos de parecerem pouco inteligentes logo que se obrigam a ler palavras que não os apetece para apenas se sentirem inseridos em um contexto que não os agrada.
Mirella degladiando.
Este comentário foi removido pelo autor.
Sr. Boaventura, apesar de não merecer título de escritora, reconheço o que diz como verdadeiro, mas críticas só são críticas quando fazemos delas sementes novas a serem plantadas no nosso jardim de idéias. Críticas não construtivas (pseudocríticas) são apenas um amontoado de palavras sem sentido. Faço uso de suas palavras e agradeço-vos.
Sra. Granucci, visto seres escritora, conheces bem que um texto publicado é feito flor desabrochada em terreno descampado: a tudo exposta, ora aos raios mornos do sol e à brisa suave de maio, ora à geada e aos rigores do inverno, destarte nosso verbo enfrenta tudo a ferro e fogo, assim as críticas imerecidas de um anônimo, assim os teus elogios imerecidos. Não é cousa que agaste. Agradeço-te.
Vale!
J.B.
(Este comentário, originariamente empós do anônimo e antes do da Sra. Granucci, foi republicado com as devidas emendas).
Admito que o uso da Sra. Granucci me faz pensar em ironia, copia quase que por completo um texto já lido e se minha ignorância toma a frente nesses nossos discursinhos, me perdoe.E novamente faço uso de tuas palavras e agradeço-te, pela correção gramatical.
Vejo que ando a provocar melindres, mau grado meu; pois isso de desferir ironias não é comigo, nem peço bulhas, antes delas me afasto.
Que a Sra. Granucci não goste da polidez e deferência que lhe dispenso é cousa que entendo; a intimidade das letras nos une a todos nestes Cadernos, e a Sra. Granucci naturalmente compartilha disso.
Contudo, amiga leitora e par das letras, não é caso de perdão que tua ignorância encabece nossas práticas, que não lhes poderia haver melhor guia, mas rogo-te humildemente não uses de parcimônia quando sacares da outra moeda, a moeda da tua inteligência, com a qual espera abarrotar-se o cofre vazio destes Cadernos.
Vale!
J.B.
E quase sem perceber
Meus lábios já se pousavam
Confortavelmente em um sorriso
Enquanto meus pensamentos se enfureciam com a perspicácia prática que J.B. lançava
ao meu ego.
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