segunda-feira, fevereiro 26, 2007

NOITE

Por Antonina Casannova

[Depois de minha tempestade particular, um pouco de minha angustiante calmaria]


Ouço me dizerem
De dentro da noite:
- Grita!
Não sei se é o eco dos meus desencontros
Ou se o meu resto de mundo
Que em vão se agita.

E há outro eco
Que grita, insistente:
- Termina contigo mesma, Antonina!
Mas logo a noite abre seus portais
E se veste misteriosamente de um véu
Que eu não sei se é o frio
Ou se um rio caiu do céu,
E não há quem transponha
Sua transparente cortina.

E no chão que me resta
Eu desabo perdida;
Não há quem me prive do chão,
Esta definitiva morada
Da vida.

2 Comments:

At 11:07, Anonymous Anônimo said...

06:47 da madrugada!!! Passaste a noite em claro, pobre Antonina? Quão delirante é a tua mente insone.

 
At 17:30, Anonymous Anônimo said...

Palavras comoventes, Antonina! Seu texto tem ótimo teor poético e demonstra um excelente rigor formal.

 

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