domingo, fevereiro 18, 2007

L'amour, l'amour!

Por Joaquim Fonseca

Meus caros amigos e leitores, vocês devem perdoar-me, tenho uma desculpa importante: o caminhão do amor topou comigo. Mais uma vez sinto o peito espremido, o descontrole do pensamento e os meus passos sem calma. Como pode o amor atropelar-me nesta terra onde a seriedade das gravatas oprime todo o frescor dos corações? Atropelar-me nesta terra onde a educação no trânsito parece ser a mais nobre conduta? Mas foi, e eu buscava era apenas a monumental apreciação estética que proporciona nossa bem arquitetada Capital Federal. Mas de novo fui internado na clínica do Cupido. A enfermidade consiste em não amar com o corpo, nem com as mãos, em não sentir o gosto nem o cheiro da amada; e então se ama é com o pensamento, com o como pretendo amá-la. Ah! cortasiana maga, tu que aprendeste a viver e a sentir como os felinos, a entender o idioma deles, para quem as palavras não servem, nem nenhuma artificialidade. Tu, natural como as andorinhas. Ah! Celi.

25 Comments:

At 12:27, Anonymous Anônimo said...

Grande primo Joaquim! Só faltava vc no carnaval do Clube Jatobá! É como diz o poeta: "estava a toa na vida, o meu amor me chamou..."

 
At 15:50, Anonymous Anônimo said...

Infinitas saudações a Joaquim Fonseca! As Letras Nacionais hão de agradecer-te a generosidade! Obrigado, escritor querido! Muito obrigado!

 
At 20:22, Anonymous Anônimo said...

Um sorriso suave escapa do meu rosto, o amor é sempre irresistível!

 
At 20:37, Blogger Clube Jatobá said...

Eu outra vez o único que buscava era a mão dela para passar as minhas poucas tardes nesta cidade tediosa e linda. Por que tantos labirintos invisíveis separando nossas rostos? Eu tentava aos poucos não pensar nos versos do senhor Octavio Paz:

"Dos corpos frente a frente
son a veces dos piedras
y la noche desierto."

Joaquim Fonseca

 
At 12:20, Anonymous Anônimo said...

Esse joaquim é um mela cueca, vira homem porra!

 
At 13:23, Anonymous Anônimo said...

Encanta-me o amor singelo e não menos contundente do caro Joaquim Fonseca. Pobre Joaquim! Diminuto já no nome! Humilde, mísero, fraco... e lhe aparece à frente um caminhão a pôr-lhe o nariz no asfalto!! Náufrago da existência, é pena que tenhas que sofrer tanto para brindar-nos com palavras tão deleitosas! Mas sofre, amigo, sofre! E brinda-nos depois! Brinda-nos!

 
At 14:39, Anonymous Anônimo said...

Desalentos e tristes desilusões não podem sustentar, apesar de comoventes, a verdadeira arte. Esta deve ser um trabalho intelectual e comprometido, não com os sentimentos, mas com o trabalho e a arquitetura do discurso. Um conselho, amigo Joaquim, esquece tua vida e dedica-te ao estudo e à leitura.

 
At 15:44, Anonymous Anônimo said...

Ai, meu Deus! Como se não bastasse o suposto poeta, agora ainda temos de agüentar um primo do doido - Luis Antônio Fonseca! Não fosse Antonina, eu realmente já teria esquecido estes cadernos!

 
At 20:16, Anonymous Anônimo said...

O companheiro Marco Aurélio tocou em um ponto interessante, o comprometimento com a arquitetura do discurso, de que serve esse comprometimento sem uma causa?
O sentimentalismo é uma justificativa incondicional e muitas vezes a que se aproxima mais da subjetividade do autor.
Desmerecer o discurso amoroso é uma atitude inexorável!

 
At 21:09, Anonymous Anônimo said...

A caríssima Adelaide há de perdoar-me, mas a reivindicação desse Marco Aurélio é, sim, quase pertinente. Tal leitor tocou em uma questão fundamental da obra de arte, que, indiscutivelmente, exige uma arquitetura, um verdadeiro trabalho intelectual. Naturalmente, isso não exclui a presença, igualmente imprescindível, do sentimento do artista. Faltou a M.A., por outro lado, a inteligência para perceber que o texto do astuto Joaquim Fonseca apresenta tal trabalho, ainda que diluído em seu sentimentalismo, bastante latente nesse texto. Portanto, se o que a senhora Adeláide procura é mero sentimentalismo, que vá encontrá-lo noutra parte! A cultura POP há de bastar-lhe; não a nós.

 
At 21:15, Anonymous Anônimo said...

Aproveito o espaço para sugerir à caríssima leitora que releia os textos de Jerônimo Boaventura, Alfredo Pestana e do próprio Joaquim Fonseca. Não há dúvida de que os autores vão muito além da dita "trivial melancolia", sobretudo pelo trabalho de linguagem dos mesmos. O que é a arte senão retórica? Acrescento, inclusive, que a amiga não soube interpretar o texto penúltimo de A.Pestana. Onde terá a senhora aprendido que "olhar tudo de fora" é atitude de um autêntico "existencialista frívolo"? Falta-lhe, creio, alguma capacidade interpretativa e, naturalmente, conceitual. Um abraço à leitora e aos valentes e talentosos membros deste atuante Clube Jatobá - alegria de tantos quantos apreciam a arte literária!

 
At 23:04, Anonymous Anônimo said...

Meu Deus do altíssimo céu, essa galera tá pegando é pesado agora!

 
At 23:13, Anonymous Anônimo said...

Arte também é conceito, belas construções precisam de significados.
De forma alguma descoro a importância da arquitetura no texto.
O que não procuro são discursos vazios, esses quais pra você parecem ser suficientes já que afirma que arte é apenas retórica.
O que busco aqui são os porques desses ilustres autores que eu tão estimo apesar das provocações.
Como precaução afirmo que esta minha busca não objetiva grandes coisas apenas saciar minha natureza curiosa.

Quanto ao existencialismo, perdoe-me mas A.Pestana sempre me remeteu a uma certa individualidade típica dos personagens sartrianos. Talvez tenha sido realmente uma interpretação pessoal demais.

 
At 23:24, Anonymous Anônimo said...

Quanto a sua altivez com a cultura POP, as vezes medíocre pode ser eruditizado, a erudição também não deve bastar!

 
At 23:27, Anonymous Anônimo said...

Que cambada de onça!!

 
At 23:41, Anonymous Anônimo said...

Dou por encerrada a discussão com a querida Adeláide, e peço desculpas ao assustado Domingos: Não se preocupe, amigo, não haverá brigas.
Parece que eu, poeta barroco que sou, tenho uma concepção de arte deveras distinta da que tem a tagarela leitora. Com efeito, penso que arte é artifício, mesmo que este surja para trabalhar sobre determinados sentimentos. Que fique claro que não penso que os sentimentos devem ser esquecidos, mas apenas subjugados a uma retórica, em outra palavra, a uma ESTÉTICA. Obviamente, respeito a opinião da leitora. Quanto aos benifícios da erudição, a senhora adelaide tem razão quando afirma que não basta. Mas é ela um meio indispensável para qualquer grande escritor.
E continuo com Eliot: "é absolutamente impossível fazer um bom poema que seja sincero". Agradeço ainda à leitora, visto que, pela primeira vez nestes Cadernos tão mal freqüentados, houve algum debate sobre a obra de arte.

 
At 00:15, Anonymous Anônimo said...

Retribuo sua gratidão com um trecho do livro mais POP de Barthes, que acredito ser muito conveniente para o momento pois trata do tão polêmico discurso amoroso.

" A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem no outro. É como se eu tivese palavras ao invés de dedos, ou dedos na ponta das palavras. Minha linguagem treme de desejo."

 
At 08:59, Anonymous Anônimo said...

Quase com uma certa tristeza, vejo que, com efeito, falta à cara Adeláide a já mencionada capacidade interpretativa. Novas saudações ao Jatobá!

 
At 09:53, Blogger Clube Jatobá said...

Tal proporção tomou este debate que penso ser de minha responsabilidade intervir, sobretudo porque meus companheiros de Clube Jatobá decerto escrevem páginas e páginas a serem publicadas nestes mesmos Cadernos, enquanto eu continuo sem muito o que fazer – e tampouco escrevo.
Primeiramente, a amável e inteligente Adelaide tem razão no que afirma a respeito dos personagens existencialistas, o que, vale dizer, muito me lisonjeia: é verdade que, senão Sartre, certamente Albert Camus é uma grande influência – de linguagem como de pensamento - nos poucos e medíocres textos que venho há anos escrevendo.
O que Orlando reivindica, também com razão, por outro lado, é que, no texto específico em que coube a mim tratar dos existencialistas frívolos DA CONTEMPORANEIDADE, eu negava um determinado comportamento, que, de fato, nada tem a ver com o meu. Alerto o insolente Orlando, entretanto, de que a delicada Adelaide já reconheceu que talvez tenha sido excessivamente subjetiva em sua leitura, de modo que, nesse assunto, já se chegou a um ponto razoável.

Quanto ao outro motivo da discórdia, talvez já não caiba tanto a mim intervir. Entretanto, vejo uma discussão que, em verdade, não tem razão de ser: em momento algum nossa Adelaide negou a necessidade de o texto literário ser articulado em favor de uma estética. A leitora, a meu ver, apenas exige que o discurso não seja vazio, mas se faça vibrar por um sentimento autêntico e pungente do escritor. Por outro lado, tampouco o nosso Orlando exclui de sua retórica a presença indispensável do sentimento. Talvez Adelaide valorize mais este, enquanto Orlando valorize mais aquela – e nenhum dos dois se engana.
Do que concluo que, afora as indelicadezas, sobretudo do leitor, o que existe é uma mera divergência estética. Não creio, caro Orlando, que a leitora esteja defendendo o “mero sentimentalismo”, mas apenas um outro tipo de linguagem artística, e o senhor não tem, absolutamente, o direito de negar-lhe essa preferência. Naturalmente, também a leitora deve respeitar a artificialismo de Orlando.
Os mais nobres agradecimentos aos dois.
A. P.

 
At 10:19, Anonymous Anônimo said...

Domingos, por acaso você também é parente de Joaquim Fonseca?
E de Sancho Panço??

 
At 10:22, Anonymous Anônimo said...

É com surpresa que recebo a hostilidade de Orlando, o fragmento de Barthes se abstem de qualquer outra intenção a não ser o deleite.
Minha interpretação foi simples o livro proporciona incontáveis exemplos de que o sentimentalismo pode sim ser tratado com erudição.

Não só respeito nossas divergências artísticas como aspiro por mais momentos em que os comentários feitos nesses cadernos ultrapassem os louvores.

A todos participantes deste notável clube o desejo de sorte, felicidade eterna e amor. (inclusive você obstinado Orlando)

 
At 17:06, Anonymous Anônimo said...

Razão não assiste à Adelaide nem ao Orlando, pois, a seguir o conselho de ambos ao extremo, desaguaríamos em Só Pra Contrariar de um lado e em Irmãos Campos do outro, o que não sei o que seria pior. Quanto à erudição, ela não só basta como também sobra.

 
At 08:48, Blogger Clube Jatobá said...

Como integrante dos Cadernos, sinto ser necessário meu
posicionamento a respeito do caloroso e extremamente irônico
debate entre os leitores Orlando e Adeláide. Sei que este
espaço - no qual eu deveria estar apresentando um novo texto
a meus sequiosos leitores - não deveria estar sendo usado
para este tipo de intervenção, mas deixo claro que as
opiniões que eu aqui apresentar são de responsabilidade
minha, Antonina, NÃO DO CLUBE JATOBÁ. Pois bem, comecemos: o
"Cadernos" é um veículo barato e de fácil acesso para que
eu, Alfredo, Joaquim e Jerônimo exponhamos nossos escritos,
que podem ter um cunho teórico ou serem um texto artístico,
que são os de minha predileção - mas não me isento de,
eventualmente, apresentar um texto que diga respeito ao
escrever como labor artístico.
A discussão entre os leitores é válida e necessária, mas que
seja dito: creio ser inadmissível ironizar a opinião alheia.
Vocês entendem de arte? Então me respondam: o que é arte? É
representação? É retórica? É sentimento? É pura e
simplesmente paixão ou tão somente arquitetura? Aqui, devo
dizer que nenhum pedreiro assenta os tijolos sem que os
tenha em mãos e sem ter em mente o projeto de uma casa. A
casa é a paixão, e os tijolos são o instrumento. Pois já
temos o instrumento e o motivo da obra, falta-nos o suor.
Sem sair do lugar, um homem não pode levantar um muro. Sem
ter tijolos, ele sai do lugar e ergue um muro inexistente.
Mas se erguer um muro de concreto e este não tiver
finalidade, seja para formar a parede de uma residência ou
para que grafiteiros o encham de desenhos, é certo que este
muro será posto ao chão, quando muito ficará de pé, decerto
importunando a vista ou o caminho de quem passar. Todo e
qualquer gênio da literaura universal - Dante, Joyce,
Virgílio, Shakespeare, Cervantes, Guimarães Rosa, Erasmo,
Pessoa, Camões, Balzac, Baudelaire, Eça, Bocaccio,
Maupassant, Goethe, Machado, Dostoiévski, Bocage...- soube
harmonizar estes três fundamentos, que são pilares da arte
e, certamente, de qualquer atividade que o homem faça: o
motivo, o meio e a transpiração. É pelo bom manuseio desses
três elementos que ninguém os sobrepuja. Cara Adeláide, leia
"Grande Sertão: Veredas" e me responda se aquilo é um oceano
de palavras inventadas ao léu ou uma amostra da genialidade
de Rosa em brincar com a morfologia e alterar a sintaxe da
língua portuguesa. Caro Orlando, leia a "Divina Comédia" e
me diga se a obra é tão somente versos decassílabos de rimas
emparelhadas do começo ao fim sem um motivo por trás.
Sobretudo na obra de Dante, o que alimenta a labuta do
próprio escritor é o amor pela sua pátria e a dor de seu
desterro.
Pois que não haja mais debates tão cínicos e afiados em
nossos cadernos, pois estes são os que menos chegam perto de
um consenso e de uma clara conclusão. Se for para se
açularem mutuamente, caros leitores, será mais válido que
esqueçam a arte e a literatura e façam alguma coisa para
frear o aquecimento global.
Desculpem-me, mas tenho dito!
A.C.

 
At 11:16, Anonymous Anônimo said...

Ave Antonina!

 
At 20:33, Anonymous Anônimo said...

Amém

 

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