quinta-feira, outubro 26, 2006

Murcielago

Por Joaquim Fonseca

Às vezes acontece comigo pensar quem inventou as estrelas. Dizem uns entendidos que seu nome verdadeiro é "astros celestes". As dividem em bonitas constelações e apelidos luminosos. Outros, igualmente entendidos, dizem ser criação de um solitário deus em seu sem fim nem começo labirinto negro. Para mim, pouco importa a origem das estrelas. O fato é que não suporto supor sua irrealidade. Explodam-se astros celestes e a miséria. O morcego acaso pode ouvir brilho algum desses do céu? Ele enxerga é o som do negro com seu potente biosonar e faz que reverbere um ruido próprio entre montanhas e árvores tingidas pela sombra. O morcego não é o dono do imenso breu só por que para nós as trevas nos entram pelos olhos. A escuridão dele é de outra ordem: o insuportável ruído do dia, pois a única luz que admite é o silêncio da noite, quando é sim senhor do som. Agora, se para a ave-cega são estrelas musicais, ela mergulha em melodiosos rios, sem precisar perguntas de quê nem para quê.

2 Comments:

At 21:58, Blogger Calíope said...

Todo lo ke leo akí me parece ser muy interesante pero, creo que no comprendo portugues muy bien!

Gaby un saludo,

y una florecita :)

Hasta!

 
At 09:40, Anonymous Anônimo said...

Aí, Joaquim, nesse texto você encontrou o tom perfeito. Conseguiu mesmo, rapaz!
Estava eu a reler algumas coisas desses negligenciados cadernos e não podia sair sem parabenizá-lo.
Grande abraço
do
Pé-de-couve.

 

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