Vida de Antonina (primeira confissão)
Por Antonina Casannova
...porque sou a angústia vivente.
Por baixo de peles tão delicadas
- dentro talvez urgente,
embora por fora pálida –
se esconde meu ser ausente
que está repleto de nada.
Porque sou a angústia respirante
Morrendo agora como antes
E compulsivamente.
Às vezes não sou um deserto,
um rio que procura o mar,
e grito por trás do silêncio.
Chego a pensar que é felicidade...
Mas como esse rio me dói!
Por trás de meu gesto opaco,
de meu ventre vazio,
de minha existência vazia
balança um trapézio.
Além de meu sangue sem gosto,
muito além de meus olhos sem estrelas
um trapézio balança no ar impunemente.
Balança devagar
- como os ponteiros de meu tempo –
sem trapezista ou vento,
pendurado nos ferros do meu coração.


3 Comments:
Q poético!.. adorei o trpézio sem trapezita no coração!
Finalmente descobri uma pessoa mais lírica que eu!!!
vc tem msn?
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