Desconsiderações Eliminares
Nós, prováveis autores destes cadernos, prováveis porque a estas alturas não se sabe a procedência de nada, sentimos um grandioso prazer pondo em efeito um desejo já envelhecido pelas demoradas conversações no refeitório do Centro de Estudos Literários Salomão[1]. De tão entretidos que íamos com isso de chegar a ser poetas, escritores ou literatos de renome, fundamos o Clube Jatobá; e foi, acabamos por perder aulas sem as quais não aprenderíamos a arte da escritura. Eis aqui, amigos leitores e não-leitores, os que lhes falam.
Quanto ao suporte elegido para estas publicações, por vezes confundido com diário de menininhadébilcomsuasputasgírias, contamos com a benevolência dos que, por sorte, vierem a ler nossas páginas, rogamos, e acreditem, também somos rebeldes e temos, se não doidas gírias, ao menos nascentes neologismos.
Além do mais, caríssimos, façam-nos o obséquio de compreender algo difícil: para nós, universitários, ou melhor, falsos estudantes acostumados à preguiça, à cantina, à bebida, ao violão, a cigarros de muitos tipos etc, é sem fim complicado publicar livros em papel de boa qualidade, breve talvez fotocópia, quem dirá livros de capa dura, nas mais lindas edições, onde abundam comentários elegantes de professores máximo doutorados.
Não ousem porém, leitores, subjugar nossas palavras por ora esquecidas neste mar sem fim donde navegam internautas, desocupados, ladrões, vária sorte de infelizes e qualquer traste humano conectado nisto. Para nós nada importa a não ser o seguinte: viemos do canto das sereias. Aos que entenderem estúpido nosso propósito, contestamos pronto às suas razões para que andem a reclamar junto ao autor do livro caro que vocês, senhores, compraram e não chegaram à décima página por incompetência própria, pois, já que o pagaram com dinheiros seus, têm direito para resmungar e fazer toda asneira que lhes parecer conveniente. Diferente, nossos Cadernos podem ser lidos por todos, a gosto e grátis. Semelhante a uma festa oferecida de bom grado por gentis anfitriões, não convém maldizer nem a recepção, nem a comida, nem a música, nem a fermosura das convidadas, nem nada. Pelo contrário, deve-se elogiar tudo, e à despedida retribuir o convite aos donos da casa, prometendo-lhes um jantar ou um passeio ao campo.
Pronto, tínhamos isso a dizer de início e o fizemos, agora não nos resta mais do que assumir que o Clube Jatobá se orgulha de tê-los como companheiros dedicados a encontrar em nossa literatura remédio às suas pesadas penas, pensamentos enfermos e puras dores. Disse o Senhor, se não disse fingimos que disse, “aquele que canta terá o reino dos céus”.
[1] Assim se costuma referir a FALE-UFMG.


2 Comments:
Adorei o texto...
Acho muito mais produtivo escrever ou, como no meu caso, ler textos interessantes do que ficar nesse mundo virtual só "falando" da vida alheia.
Parabéns pela iniciativa!
Valha-vos a Sereia! Com que alegria recebo essas páginas arti-virtuais!
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