Papai do céu
Por Antonina Casannova
[Como deixei dito naquele texto em que vos apresentei a poesia de meu amigo, João Olavo Filho, estou escrevendo versos infantis, ou, melhor dizendo, versinhos. Eis um poema. Espero que vos apeteça]
Papai do céu, amiguinho,
Me escute, papai do céu.
Prometo ser mais bonzinho,
Talvez até bacharel.
Papai do céu, me ajude
Que eu lhe dou, papai do céu,
As minhas bolas de gude
E o meu barco de papel.
Se o senhor for me ajudar
Eu prometo, papaizinho,
Que nunca mais vou puxar
A barba do bom velhinho.
É que eu quebrei um vasinho
Bonito, cheio de flor.
Se mamãe souber, tadinho
De mim, já sinto até dor.
A bola bateu no vaso
E o vaso dançou no ar...
Papai do céu, que arraso!
Não gosto nem de lembrar.
Tenho tanto de levado
Quanto mamãe tem de brava,
E está todo espatifado
O vaso que ela gostava.
Mamãe vai me dar castigo
Só que a culpa foi da bola.
Papai do céu, seja amigo:
É porcelana espanhola.


1 Comments:
Bonito e singelo o poema da Senhora, Antonina Cassannova.
Os versos finais fazem lembrar o bom e velho Manuel Bandeira. É sempre um enorme prazer.
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