terça-feira, março 13, 2007

Sobre exibidos e inibidos (Sábio Celibatário)

Por Joaquim Fonseca

A solidão é difícil e os covardes a evitam porque são cretinos. Tampouco escolhem estar rodeados de comparsas iguais, cretinos e covardes. Têm a máscara tão pregada que a arrancar os mataria. Esses abomináveis se abraçam e gozam quando amam, esfregam-se uns nos outros e riem. Se acaso estão sós, para eles não há pior inferno.

Outros, ao contrário, têm a alma exposta e as almas são terríveis para os homens. Como para os seres patologicamente solitários não há nem Deus nem Anjos, também não há remédio. Acabam derrotados em si, que o exterior não faz sentido, nem o prazer, nem a vida, nem as belezas e feiuras: deixam de sentir, porque as almas não sentem.

4 Comments:

At 21:25, Anonymous Anônimo said...

Joaquim Fonseca, fábrica de obras-primas! É com gratidão que leio os textos que nos oferta!

 
At 18:59, Anonymous Anônimo said...

Essa é também uma das partes de que mais gosto de O SÁBIO CELIBATÁRIO! Espero que o autor brinde os leitores com outros trechos desse que é talvez o seu melhor livro.

 
At 10:56, Anonymous Anônimo said...

Um sábio acabado esse Joaquim! É pena que nos entretenha apenas a trechos, e não com a obra completa.

 
At 21:23, Anonymous Anônimo said...

é complicado julgar a covardia, talvez tenhamos todos sidos covardes uma vez na vida,ou mesmo continuamos sendo. E o que é coragem, afinal de contas?
Os corajosos as vezes são tolos, e os covardes são fracos, qual é o equilibrio de tudo isso? Antes ser um covarde na multidão do que um corajoso no deserto? Queria saber do autor quem é ele nesse mundo, o cretino ou aquele que a alma não sente?

 

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