Carta imaginária para Celi
Por Joaquim Fonseca
Ah Celi, coração de pedra! Escolheu a solidão, tanta ternura, e escolheu amar ninguém. Disse que queria morrer numa piscina de café e que queria um caixão de chocolate. Foi assim que deixou escapar alguns grãos de amor, desajeitada, me machucou igual as outras mulheres fazem. Eu também não saberia te amar, mais desajeitado sou eu, sofri demais por causa de um ou outro abraço, um par de sorrisos e por nossos braços encostados no meio daquele filme ruim que eu tentava não ver enquanto você dormia. Você não entende, Celi, mas na verdade é tudo simples: eu queria só a sua mão, o seu nariz, as suas orelhas, o seu cabelo, a sua boca, as suas pernas, a sua barriga, o seu cheiro, Celi, e tudo mais que precisava para sermos felizes por algum tempo. Você não acredita, mas eu também ia te dar minha ternura. Agora esse afeto vai apodrecer dentro de mim, eu juro que vai apodrecer muito, e a culpa é sua, Celi, a culpa é só sua.
Ps: De repente te odiei sem querer e você capaz que me odiou muito mais.

