quinta-feira, outubro 01, 2009

Amor

Por Joaquim Fonseca

Pingaram gotas de um veneno doce
no poço cristalino da ternura.
Pra nós como se mel - se abelha - fosse
nos transportamos a mortal lonjura.

Lonjura essa onde construí a casa
pra lá de um monte áspero e sombrio.
Matei um anjo pra roubar-lhe a asa
e voar até esse nosso vale frio.

Da lá não sairíamos nunca vivos
porque serpentes rondavam a mata
que se estendia da casa ao pé do monte.

As asas do anjo torto, as quais roubei,
levaram-nos, não nos trariam de volta.
Sentamos à varanda, a espreitar o medo.

2 Comments:

At 14:42, Anonymous ricardo fonseca said...

rapaz, que belo soneto!

 
At 23:37, Blogger Liz Reale said...

ohh, tengo que aprender portugués!
te agregue al blog

besos muchos

 

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