Amor
Por Joaquim Fonseca
Pingaram gotas de um veneno doce
no poço cristalino da ternura.
Pra nós como se mel - se abelha - fosse
nos transportamos a mortal lonjura.
Lonjura essa onde construí a casa
pra lá de um monte áspero e sombrio.
Matei um anjo pra roubar-lhe a asa
e voar até esse nosso vale frio.
Da lá não sairíamos nunca vivos
porque serpentes rondavam a mata
que se estendia da casa ao pé do monte.
As asas do anjo torto, as quais roubei,
levaram-nos, não nos trariam de volta.
Sentamos à varanda, a espreitar o medo.


2 Comments:
rapaz, que belo soneto!
ohh, tengo que aprender portugués!
te agregue al blog
besos muchos
Postar um comentário
<< Home