Sobre ser escritor
Por Joaquim Fonseca
Eu e meu insuperável gênio romântico! A despeito de todo o aprendido em longas sessões literárias e em anos na universidade, não sei trabalhar. Escrevo por ataques de inspiração. Sei que assim não vou chegar a lugar nenhum, se muito, haverá no futuro, ou hoje, indivíduos que me entendam parcialmente, a quem chamarei de meus amigos. Não me considero capaz de outra coisa que a escrita, ao mesmo tempo sou completamente incapaz dela. Basicamente escrevo mal. A dialética nunca me serviu de nada, minhas leituras não passam de repetições de frase que memorizo sem a menor compreensão global do texto. Desde minha adolescência, desde minha tardia escrita - não aprendi no tempo certo, não considero que saiba ortografia, nem que saiba elaborar de modo correto um raciocínio, minha sintaxe é muito duvidável, devo cometer erros de que nem faça idéia – nunca achei que seria outra coisa senão escritor.
Resta-me contar com o êxito de algum sócio que construa uma barca grande e me leve junto à glória desta Era e das próximas. No fundo, não me interessa saber escrever.


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