quarta-feira, outubro 01, 2008

Por Joaquim Fonseca

O poema abaixo saiu de minha própria pena, que, atacada pela comichão, não me deu paz até que fosse dado à luz. Pus-lhe um título que corresponde aos seus dois primeiros versos “Algo me move não sei o que”. O poema levanta hipóteses sobre o que seja essa motivação, creio que uma hipótese e uma semi-hipótese.

Temo, por haver eu mencionado a comichão, que o leitor imagine ser essa moléstia tema e matéria do poema. Tal leitura seria chistosa e pouco sensível.

Pois bem, tendo-o coberto com escudo e manta, dou-lho a ler, leitor generoso.

Algo me move não sei o que


Algo me move
não sei o que.

Buscaria saber por toda vida
se disposição tivesse
para revirar entulhos.

O que quer que seja
anda oprimido pelo passar dos dias.
Apenas aturo.

Se antes lhe chamaria essência
hoje não lhe dou nome.

Empenhado em afastar maus sentimentos
recorro a isso;
o resultado é equivalente a nada.

Diante dos demais
vaza dali um vapor que deixa nódoas.

Prefiro afastar-me
a permitir que notem em mim essa fratura.

Inutilmente;
nos não é dado escondê-la,
não nos é dado esconder nada.

Será o pulsar do coração?
Não, não há de ser.

Engana-se aquele que,
tocado pelo sopro da verdade,
afirma conhecer esses princípios.

1 Comments:

At 20:44, Anonymous Najah said...

Penso que ainda há muito a ser trilhado antes que mentes e corações se adequem, se encaixem, se entendam.

 

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