Soneto XIII
Por Jerônimo Boaventura
Reclamo o lirismo do estimado poeta português Gaspar de Almeida, em ordem a renovar a seiva deste grêmio desamparado.
Ah! olhos meus, que ledas madrugadas
Em claro acumulastes, recordando
A imagem adorada, o sonho brando
De antigas estações, horas passadas.
Ao fim, sempre, brilhavam as alvoradas,
Da noite o tênue véu descortinando,
Essa hora as vãs imagens, debandando,
Esvoaçavam, leves, desatadas.
Então vos deparava, tristes olhos,
A prima luz do dia uma estranheza,
Vosso desenganar de amores tais.
Transmudavam-se os lírios em abrolhos.
Era a ventura finda, e na certeza:
O imaginar e o ver, quão desiguais!
Luís Gaspar de Almeida


3 Comments:
Que felicidade ver que o Clube Jatobá dá sinal de vida e parece querer voltar aos velhos tempos! Os versos de Luís Gaspar de Almeida emocionam-me! Devo agradecer ao Jerônimo Boaventura por nos permitir aliviar nossa sede em tão calmas e límpidas.
águas!
Obrigado, Senhor Boaventura, por nos presentear com as mais altas obras do cânone da literatura portuguesa.
Pena é que apenas o Soneto XIII do professor Gaspar nos seja apresentado.
Te aperto a mão,
Godz.
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