terça-feira, maio 12, 2009

Outras mãos

Meus sócios destas páginas - todos – já publicaram textos alheios, eu ainda não havia feito. Hoje planto aqui, não para compensar aos sócios, o poema de um amigo. Sebastião Sampaio vive em Itabira, na rua da Conceição, a mesma onde vivi durante onze anos e em cujas esquinas travei amizade com o poeta. Há pouco, ele me escreveu e ao final da carta mandou-me este poema de sua autoria. Atualmente, trabalha como técnico em monitoramento da qualidade do ar na Companhia Vale do Rio Doce, tem 27 anos e duas filhas: Carmem e Ester; sua mulher, Rafaela, costura vestidos e foi da cidade de Coronel Fabriciano com os pais a residir em Itabira no ano de 1999.

Joaquim Fonseca


Por Sebastião Sampaio

Não vou ousar tocar a luz
enquanto os olhos velados
no triste ar que se deduz
permanecerem parados.

Vou buscar no vento sul
os sonhos do amor comum.
Se olhar bem para este sul
não existe amor nenhum.

Quero olhar bem para o meu
passado que não morreu
quando descobrir o que é seu
volto a procurar o meu.

Sem saber o que é saudade
e sem ter um coração
caminho pela cidade
em ruas de contramão.