terça-feira, setembro 29, 2009

Pampa

Por Joaquim Fonseca

Em pradarias enrubescidas pela tarde
com gaivotas brancas
e nuvens
quero o brilho todo do céu
em meu peito trancado
na linha do horizonte.

Nos sopros desse ocaso
quero estar só

sem mim até.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Ruas não percorridas

Por Joaquim Fonseca

Voltei de ti como de um campo escurecido
como de uma pureza desditada.

Teu ser vibrante em si petrificado
eloqüentemente estático.

Eras irreal.

Em teus olhos de bruma, nuvem e água
se dissolvia angustiado o mundo.
A cidade era um borbulhar
de metal, cimento, asfalto e vidro.

Naqueles sonhos
em que sorrisos eram duros feito máscaras,
tu o pecado me ensinavas
sincero e denso.

Vamos caminhar!
Mostra-me a lua refletida nos edifícios,
vaga moça.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Canción sutil

Por Joaquim Fonseca

¡Ah! Tus dedos piadosos
tocando un piano de luz
soltaron acordes perplejos
nel negro lugar.

Los pobres muchachos
muy solos del triste arrabal
te abrieron el paso.

Venías cantando del Sur.

¡Ah! Flotando paseabas
hermosa entre gente infeliz.
Decías tu nombre divino
y el pueblo empezaba a llorar.

El viento te trajo y has sido
más que bendición.

Pero un habitante del miedo

rompió tu piano de luz.

sábado, setembro 05, 2009

Milagre

Por Joaquim Fonseca
a Luana Aires

A forma
como estilhaçaste o espelho
fez com que a palavra
espelho
também se estilhaçasse.

Cada caco
refletiu uma imagem
formou mais de mil metáforas
de outras mil
de outras mil

Vós
no centro desse estilhaçamento
soubeste que o amor termina em si mesmo.