quinta-feira, maio 31, 2007

Por Jerônimo Boaventura.

Da aldeã Lúcia.

Três dias esteve esta humilíssima e dolorosa aldeã a pedir em oração por seu filho, que curtia moléstia a mais grave. Ao cabo de cinco dias, morto o filho e serenada a mãe, escarneceu dela um homem, sabedor de boatos e ignorante da doutrina, censurando a vanidade da sua fé. Minhas orações, retorquiu ela, visavam menos a salvar-me o filho, que já nas mãos de Deus estava, que a salvar-me a mim.

Reflexão

Das gentes miúdas de pecúlio vê-se que se podem extrair exemplos sublimes, revelando-se nisso graúdas de alma.

Com efeito, leciona a aldeã que orações servem não só para petição de graças, mas ainda para construção de virtudes; pois, estando o filho pequeno a desatar a alma por vontade divina – que crianças não passam senão por vontade de Deus – e conhecendo a bem-aventurança já reservada a ele, encomendou-se ela ao Senhor, orando piedosamente para si, e não para o filho já encomendado, com o intuito de granjear forças que não havia, único remédio para vencer a agrura desse infortúnio.

O desenlace fatal não lhe prejudica a fé nem a macula de vanidade, porquanto a prova era salvar-se a si, e não salvar ao filho, pois este já se salvara cumprindo a vontade do Senhor; já aquela mulher salvou-se com acolher essa vontade sem desesperar e descrer, que nisto se perdera.

Tal revela confiança nas palavras de edificação e vontade rígida, amigos leitores, que não dobra ao peso da desventura.

Valete!

segunda-feira, maio 28, 2007

Princípios de desamor; a Céli

Por Joaquim Fonseca

Coincidência

Abismados tão somente

quando
enquanto riamos
amargavam-nos as dúvidas.

Alambre

desfilou só por entre as nuvens de brinquedo
embora houvessem tantos desatinos
e a escuridão tomasse seu desejo
vagou como quem baila ao som dum grito.

na alma a superfície dos desertos
desabitada
regularmente aflita
foi ter com a esperança.


Bola de sabão

e a levei por caminhos de palavras

acho que ela também gostava
do nosso eventual jogo de símbolos.

e de um golpe o silêncio,
- depois a lenta mágoa -
então já não éramos, amor...
dois corpos afastados.

Sonho lúcido

agora um batalhão de fantasmas
para acabar com as sobras
dos sorrisos frágeis.

no mais ainda te espero
descontente e lírica.

mas não convém procurar em mim
o que nos outros falta,
sou só um poeta estúpido.

Queda

de repente falávamos às pedras
não sei em qual estrela perdi meu nome
diria bem antes de supor
que na utopia

nas beiras caminhamos
e caí.


Vozes

de nada valerá tua mente impura
por glórias e tormentos arrasada
não há razão pra que se faça o bem
com males tão diversos no espírito.

contigo a solidão caminhará
mais perto quanto mais valente for
o resistir contra essa pena dura.

segunda-feira, maio 21, 2007

Vôo

Por Antonina Casannova

O vento frio que vem do norte
Nada mais é do que somente
Um vento frio vindo do norte;
E, no entanto, é muito mais
Do que simplesmente um vento
Frio que vem do norte, que
Como um ladrão entra no quarto
E faz debaterem-se as ventanas,
Deixando dentro de mim
- de meu mundo sem vida,
de minha vida sem rumo -
Um frio mais frio que o frio
Do vento que vem do norte.

Porque o vento que vem do norte
Me faz ficar mais encolhida,
Mais fria, tão mais sozinha...
E então eu quero menos vida
E viro o avesso do dia,
E fico mais sem medida,
E perco meu resto de norte,
E caio dentro de mim mesma
Como um vôo ao chão de uma ave
Perdida, sem forças nem asas
Para, em derradeiro fôlego
Escapar, em vôo vão,
Às aves negras da morte
.

quarta-feira, maio 16, 2007

CREDO LINGÜÍSTICO

Por Jerônimo Boaventura

A Rui Barbosa.

“É comum ver coberto de remoques o escritor, que, no seu exagerado amor da língua que pratica, não quer vê-la alfaiada de ornatos impróprios, nem rebaixada de sua antiga e sóbria dignidade. Dizer – um gramático – é dizer – um emperrado, um retrógrado, um caturra. Mas, não raro, esse desprezo do apuro gramatical esconde uma ignorância que se não quer confessar.”
Olavo Bilac

Se vos exponho o meu credo lingüístico, leitores e leitoras, a razão está na penúria e no desconcerto que passa hodiernamente o nosso mais caro veículo de idéias e sentimentos.

Creio na portuguesa língua, riqueza maior que nos legou o gênio lusitano; creio na lição dos clássicos, fonte donde jorra a um tempo as belezas do idioma e a nobreza dos pensamentos; creio ser a Gramática a Constituição da Língua, homologada e outorgada no lastro dos bons escritores e no uso que dela fizeram as pessoas de estudo; creio que a imaginação popular, inventiva e viva, é parte legítima da língua, quando a não viola por amor da ignorância; creio que as escolas de presente não apenas nada ensinam, mas ainda concorrem para o descuro do idioma e para a vulgarização dos espíritos; creio que o saber, hoje como nunca, é produto do esforço individual.

Odeio a juventude analfabeta e atrevida; aborreço as academias e os governos de resoluções e atos normativos, que enodoam a língua em atenção ao lucro editorial e ao gosto de novidade do povo; vitupero os falantes da língua bunda e estropiada; maldigo a desídia e a mediocridade dos que aplanam os espíritos ao nível da terra, porque já os não fazem subir aos céus da sabedoria; anojo-me dos que buscam no lodo a falsa pérola dos fatos lingüísticos e dos que semeiam a demagogia em nome da ciência: in uestimentis ouium lupi rapaci, são lobos rapazes vestidos de ovelhas, cujo uivar longo e terrível nos entra os ouvidos à guisa de canção fatal, prenunciando soturnamente a morte do conhecimento.

Valete!

terça-feira, maio 15, 2007

Áreas de atuação do Jatobá

Clube Jatobá de Literatura
Clube Atlético Jatobá
Clube Jatobá de Bilhar
Clube Jatobá de Pugilato
Projeto Jatobá In Concert
Cinemateca Jatobá
Jatobá Idiomas
Jatobá Traduções
Cooperativa Jatobá de Alvenaria