quarta-feira, outubro 22, 2008

Por Joaquim Fonseca

Dá-me uma manhã cheia de borboletas verdes
E pinto-te um quadro para o lugar de tua janela.
Dá-me um quarto e um violino
para eu tocar às borboletas.
Dá-me vinho vermelho
para enquanto não vem a tarde.
Dá-me um pouco de tristeza,
só um pouco de tristeza.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Louvando os estudiosos e homens públicos responsáveis pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, "um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional", prestamos-lhes esta concreta homenagem, confiantes de que agora, sem trema e com menos circunflexos, a cultura brasileira há de revigorar-se e nossas crianças e adultos finalmente aprenderão a manejar bem o vernáculo.


Revolta Ortográfica
voo?
v oo
< oo
^ oo
ôo!

quarta-feira, outubro 01, 2008

Por Joaquim Fonseca

O poema abaixo saiu de minha própria pena, que, atacada pela comichão, não me deu paz até que fosse dado à luz. Pus-lhe um título que corresponde aos seus dois primeiros versos “Algo me move não sei o que”. O poema levanta hipóteses sobre o que seja essa motivação, creio que uma hipótese e uma semi-hipótese.

Temo, por haver eu mencionado a comichão, que o leitor imagine ser essa moléstia tema e matéria do poema. Tal leitura seria chistosa e pouco sensível.

Pois bem, tendo-o coberto com escudo e manta, dou-lho a ler, leitor generoso.

Algo me move não sei o que


Algo me move
não sei o que.

Buscaria saber por toda vida
se disposição tivesse
para revirar entulhos.

O que quer que seja
anda oprimido pelo passar dos dias.
Apenas aturo.

Se antes lhe chamaria essência
hoje não lhe dou nome.

Empenhado em afastar maus sentimentos
recorro a isso;
o resultado é equivalente a nada.

Diante dos demais
vaza dali um vapor que deixa nódoas.

Prefiro afastar-me
a permitir que notem em mim essa fratura.

Inutilmente;
nos não é dado escondê-la,
não nos é dado esconder nada.

Será o pulsar do coração?
Não, não há de ser.

Engana-se aquele que,
tocado pelo sopro da verdade,
afirma conhecer esses princípios.