Giulietta
Por Antonina Casannova
Não hei de sacrificar o meu amor
em virtude da glória de outros ídolos;
nem hei de me esquecer do que foi
ou profetizar a dor que será,
assim como tampouco ousarei me lançar
nas mãos dos sentimentos frívolos.
Prometo jamais prometer que te amo
sob a luz do mais lindo luar;
a lua, meu amor, é uma flor inconstante
que faz primaveras no céu,
mas que abandona as noites frias
ao léu do breu que habita no ar.
Enquanto houver canto em minha voz
e meus pés alcançarem o chão,
seguirei do teu lado direito,
para levar ao meu lado esquerdo
a sombra do vulto teu
mais perto do meu coração.
E então, no momento do silêncio eterno,
quando a vida quiser me cobrir de inverno,
hás de ouvir meu coração fraquejando
no ritmo exato do pisares teus passos;
e dentro dos intervalos do tempo
entre os interstícios do corpo,
hás de sempre sentir o meu corpo mudo,
lanceado nos vãos dos teus braços.

