Nau
Por Antonina Casannova
Por mares de lágrimas minhas
vai minha nau navegando,
e dentro dela vou sozinha,
dentro de mim naufragando
e crendo chegar na frente do dia
num lugar que há de existir;
mas quando vier uma noite fria,
ainda que triste, terei de partir.
E de novo a nau
será lançada ao mar
de fel, dor e sal,
num eterno esperar...
Esperar pelo porto derradeiro,
pela partida sem pranto,
pela vida a esmo
em mil horizontes chegando.
Mas sou um pássaro prisioneiro
que traz a tristeza em seu canto
por estar reduzido a si mesmo
e vendo o horizonte voando.

