Murcielago
Por Joaquim Fonseca
Às vezes acontece comigo pensar quem inventou as estrelas. Dizem uns entendidos que seu nome verdadeiro é "astros celestes". As dividem em bonitas constelações e apelidos luminosos. Outros, igualmente entendidos, dizem ser criação de um solitário deus em seu sem fim nem começo labirinto negro. Para mim, pouco importa a origem das estrelas. O fato é que não suporto supor sua irrealidade. Explodam-se astros celestes e a miséria. O morcego acaso pode ouvir brilho algum desses do céu? Ele enxerga é o som do negro com seu potente biosonar e faz que reverbere um ruido próprio entre montanhas e árvores tingidas pela sombra. O morcego não é o dono do imenso breu só por que para nós as trevas nos entram pelos olhos. A escuridão dele é de outra ordem: o insuportável ruído do dia, pois a única luz que admite é o silêncio da noite, quando é sim senhor do som. Agora, se para a ave-cega são estrelas musicais, ela mergulha em melodiosos rios, sem precisar perguntas de quê nem para quê.
Às vezes acontece comigo pensar quem inventou as estrelas. Dizem uns entendidos que seu nome verdadeiro é "astros celestes". As dividem em bonitas constelações e apelidos luminosos. Outros, igualmente entendidos, dizem ser criação de um solitário deus em seu sem fim nem começo labirinto negro. Para mim, pouco importa a origem das estrelas. O fato é que não suporto supor sua irrealidade. Explodam-se astros celestes e a miséria. O morcego acaso pode ouvir brilho algum desses do céu? Ele enxerga é o som do negro com seu potente biosonar e faz que reverbere um ruido próprio entre montanhas e árvores tingidas pela sombra. O morcego não é o dono do imenso breu só por que para nós as trevas nos entram pelos olhos. A escuridão dele é de outra ordem: o insuportável ruído do dia, pois a única luz que admite é o silêncio da noite, quando é sim senhor do som. Agora, se para a ave-cega são estrelas musicais, ela mergulha em melodiosos rios, sem precisar perguntas de quê nem para quê.

