domingo, junho 24, 2007

Do filho incógnito

Por Joaquim Fonseca

Dele

Só, uma ilha suja e dura
em que insistia a vida,
onde unicamente habitava Hybris
de irredutíveis dores
e que cercada
por muralhas de silêncio
mantinha o réprobo.

O filho incógnito
onde habitava
era somente o que sobrou

de não ter sido.

De si para si pensou Hybris

É mais fácil viver na poesia,
acostumar-se ao sonho.

Sem saber,
às vezes meu olho se fecha
e se abre do outro lado,
o de dentro,
vejo as trezentas mil encruzilhadas
não sei se a cidade me contaminou
a alma não foi feita para existir na pedra.

Um conhecido meu, um velho, disse:
jardim de sendeiros que se bifurcam,
mas é um jardim áspero.

Por dentro todo mundo é infinito,
qualquer um olhando para si sabe,
não adianta,
não tem controle,
porque aí a gente só se perde,
é a realidade.

Depois, se tento olhar para fora,
para o mundo,
tudo me parece de mentira,
teatro;
o palco
o cenário
as personagens
os vencedores
os derrotados
os palhaços
os malandros
a iluminação depende do céu.

E tristemente sei:

não foi para representar que nós nascemos.

terça-feira, junho 19, 2007

Entreato (do CIRCO)

Por Alfredo Pestana

Descansa a bailarina pálida
cujas pernas bêbedas
traçaram no vazio os versos
que tombaram sobre minha página.